A importância de pensar a intersecção nas ações de inclusão.

Interseccionalidade, onde as diferenças se cruzam.

Nossa newsletter inaugural do Já Que É Pra Falar chega com um assunto de suma importância para pensarmos e falarmos sobre ações e práticas de inclusão e diversidade: a interseccionalidade.

Mas, afinal, o que significa esse termo? Qual a sua importância para estudar e elaborar políticas públicas? E para olharmos para as pessoas dentro das organizações?

Se você já estudou sobre o feminismo negro, certamente já passou pelo termo Interseccionalidade, indispensável hoje para pensar o lugar destas mulheres na sociedade.

Nos últimos tempos, a luta por uma sociedade mais inclusiva é pauta em diferentes espaços, na mídia, no entretenimento, dentro das casas e famílias, e em grandes empresas.

Ainda assim, nos falta um olhar interseccional para a diversidade humana, nos programas de inclusão e diversidade é comum vermos ações dos pilares que não se relacionam, ou mesmo no recrutamento e seleção dos profissionais de gestão de pessoas querendo “rótulos” e não pessoas… É fácil ver a dificuldade de recolocação de uma mulher, preta e com deficiência. Essa candidata não estará em um pilar, mas em três. E compreender as políticas internas para atender e compreender essa pessoa é fundamental para a interseccionalidade.

Não basta refletirmos e falarmos sobre mulheres; é preciso refletirmos e falarmos sobre mulheres trans, mulheres negras, mulheres com deficiência.

Não basta falarmos sobre pessoas LGBTQIA+ como um grupo homogêneo; precisamos olhar para o conjunto de características que faz cada indivíduo ser único. Quando abordamos sobre questões de gênero, a mulher, cisgênero e branca possui privilégios que a mulher trans com deficiência e periférica não possui, por exemplo.

Somos muito mais do que as caixinhas onde normalmente nos colocam e nos vêem, dentro de padrões pré-estabelecidos. A sociedade é um grupo multifacetado com diferentes classes, gêneros, raças, territórios e idades.

Foi em 1989 que o termo “Interseccionalidade” foi de fato sistematizado por Kimberlé Crenshaw,  teórica feminista e professora estadunidense especialista em questões de raça e gênero.

Kimberlé Crenshaw usa o termo "interseccionalidade" para descrever esse fenômeno; como ela mesma diz, “se você ficar parado na interseção onde múltiplas formas de exclusão se cruzam, você tem chance de ser atingido por todas elas”. 

 Se persistirmos com ferramentas metodológicas, teóricas e práticas que só abrigam uma categoria, o gênero, por exemplo, não estamos possibilitando uma diversidade de fato.

 Considerar a interseccionalidade é transformar em ações a compreensão de que, mesmo entre populações minorizadas, existem camadas de privilégios que exigem um olhar cuidadoso. 

Considerado, atualmente, um dos maiores desafios nas organizações, construir um plano de diversidade que articule os diferentes grupos, como LGBT, pessoas com deficiência, gênero e raça/etnia é mais que necessário, é imprescindível para que a inclusão ocorra de fato.

Não pensar na interseccionalidade na implementação de programas de diversidade e inclusão pode até promover diversidade de gênero em cargos de liderança, mas não haverá diversidade interseccional com raça, etnia, classe social, orientação afetivo-sexual, entre outras no dia a dia da organização.

Outras autoras que falam sobre o assunto: Audre Lorde, Bell Hooks, Patricia Hill Collins, Avtar Brah, Angela Davis, Lélia Gonzales, Carla Akotirene, Maria Beatriz Nascimento e Carolina Maria de Jesus. 

Considerar a interseccionalidade é transformar em ações a compreensão de que, mesmo entre populações minorizadas, existem camadas de privilégios que exigem um olhar cuidadoso por isso não trabalhar somente olhando os pilares e ações separadas, compreender que pessoas são únicas e há um universo em cada um de nós, dá espaço a múltiplas possibilidades.

Por isso, te convidamos a olhar não somente para os números, cotas ou metas de inclusão e diversidade que tens na organização em que trabalhas, mas compreender que pessoas são complexas, únicas e específicas e que olhar essas múltiplas linhas nos possibilita desenhos e curvas únicos, extraordinários e inovadoros.

Abra-se à interseccionalidade, pois é um caminho sem volta!

Dicas do que ler / ouvir / assistir deste mês

Podcast Papo Preto: Internacionalização dos corpos negros #37
O produtor de conteúdos, Gerson Saldanha, o cara que provou para “A” mais “B” que é possível um jovem preto de periferia fazer intercâmbio, multiplicar e incentivar outros jovens a ter essa experiência.

TED Talks: Das redes sociais ao impacto social

Esta palestra explora o empoderamento dos jovens na era digital e como eles estão aproveitando as redes sociais para causar impacto social. Amonge, uma jovem ativista, nos dá uma nova perspectiva de como os adolescentes podem impulsionar o empoderamento dos jovens na era digital, usando a mídia digital para amplificar sua voz e se mobilizar para mudanças e impacto social.

📖  Livro O Feminismo é para Todo Mundo: Políticas Arrebatadoras - Bell Hooks

Um dos principais livros já publicados em todos os tempos sobre o assunto, o livro traz lições para a compreensão das relações entre gênero, raça e classe.

🖥 Gigantes da Tecnologia Batalham entre si por produtos mais acessíveis - por Gustavo Torniero
Após as pessoas com deficiência reivindicarem produtos e serviços mais acessíveis, empresas como Apple e Google anunciam novidades na acessibilidade de seus produtos. Coluna no portal Uol, por Gustavo Torniero, jornalista e ativista.

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